É do Brasil! Jovem que cresceu em comunidades do Rio é o primeiro bailarino do Australian Ballet

Por Thales Moreira de Almeida – Estudante de Publicidade e Propaganda

Carioca, cria do Vidigal e do Santa Marta, Davi Ramos, de 25 anos, se tornou o primeiro brasileiro e homem negro a ocupar uma posição de bailarino no renomado Australian Ballet, uma das companhias de balés mais prestigiadas do mundo.

Tudo isso começou, de uma forma inusitada, em aulas de capoeira, na qual frequentava com sua mãe, apenas acompanhando. E apesar de amar esportes como futebol e vôlei, ao ser oferecido uma semana de aulas de balé, decidiu experimentar, assim se apaixonando pela arte e se encontrando nisso.

“Tenho muito orgulho de ser brasileiro, da minha história e de onde venho, do Santa Marta, do Vidigal. Isso é algo que não acontece todos os dias. Muitas pessoas não entendiam muito bem. Sofri bastante preconceito no Brasil; na escola, eu era o único negro. Mas isso nunca me afetou. Meu maior sonho era me tornar o primeiro bailarino”, disse Davi a Globo.

Davi Ramos, primeiro bailarino do Australian Ballet / Foto: Pé de Figo

O que era apenas curiosidade, se transformou em paixão e dedicação, rapidamente evoluindo e dando frutos. Chegou até a final do Youth America Grand Prix (YAGP) em Nova York, venceu uma competição do IBStage, em Barcelona e em apenas dois anos participou do Prix de Lausanne, na Suíça.

Com apenas 15 anos e uma carreira até então premiada, Davi foi embora viver seu sonho e sua paixão e, em 2024, esse sonho teve um novo começo inesperado, como Solista no Australian Ballet, que desde 1962 vem inspirando audiências e se tornou a companhia de balé nacional da Austrália. Poucos meses depois sendo promovido a Artista Sênior e, em maio deste ano, conquistando o posto máximo como Artista Principal, sendo anunciado no palco, após um espetáculo, pelo seu Diretor Artístico.

“Eu não estava preparado. Foi no palco. É uma tradição da companhia, e o David, meu diretor, não contou a ninguém — só ele sabia. Foi totalmente inesperado. Dá para ver minha reação naquele momento. Às vezes ele sobe ao palco para dizer algumas palavras, mas minha partner estava ao meu lado e segurou minha mão bem forte […] Sonho em dançar em outras grandes companhias do mundo e inspirar outros bailarinos, uma nova geração de brasileiros”, concluiu.

Leia também: Gustavo Kuerten: a trajetória do ídolo que colocou o Brasil no topo do tênis mundial

Beatriz Bruno
Beatriz Bruno
Estudante de Jornalismo pela Escola de Comunicação do Centro Universitário Augusto Motta. Carioca da gema, praia e samba na palma da mão. Acredito em uma comunicação acessível e abrangente.

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