Fim do pagamento em dinheiro nos ônibus do Rio gera críticas e preocupa usuários

Por Karina Miranda – Estudante de Publicidade e Propaganda

A decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro de encerrar o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais a partir do dia 30 de maio reacendeu um debate sobre inclusão e acesso ao transporte público. Embora a medida seja apresentada como um avanço tecnológico, passageiros apontam que a mudança ainda deixa dúvidas sobre situações comuns enfrentadas diariamente por quem depende dos coletivos.

A principal preocupação envolve imprevistos simples, mas frequentes. Esquecer o cartão em casa, perder o celular, ficar sem bateria ou descobrir que o saldo acabou pouco antes do embarque são situações que fazem parte da rotina de milhares de passageiros. Até agora, o dinheiro funcionava como solução imediata. Sem essa possibilidade, muitos temem simplesmente ficar sem conseguir voltar para casa.

A preocupação é ainda maior entre idosos e pessoas com pouca familiaridade com tecnologia. Para parte da população, aplicativos, QR Codes e processos digitais ainda são obstáculos reais. A adaptação pode parecer simples para quem vive conectado, mas representa dificuldade concreta para quem não tem prática com ferramentas digitais.

Medida válida a partir de 30 de maio preocupa passageiros. / Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio de Janeiro

Outro ponto sensível é a situação de estudantes que dependem do transporte público para voltar da escola, especialmente em regiões periféricas e comunidades. A dificuldade para emissão ou regularização de cartões já faz parte da realidade de muitas famílias. Em horários de saída escolar, crianças e adolescentes frequentemente enfrentam coletivos lotados e dificuldades para embarcar.

Em muitos casos, responsáveis não conseguem acompanhar processos burocráticos por causa da rotina de trabalho ou da dificuldade de acesso aos postos de atendimento. Isso faz com que estudantes fiquem vulneráveis a falhas do sistema justamente em um momento essencial do dia: o retorno para casa.

“A decisão da Secretaria Municipal de Transportes afeta um número significativo de pessoas com dificuldades no acesso a tecnologias, o que pode resultar em prejuízo do direito de ir e vir do cidadão, particularmente aquele que mais necessita da tutela do Estado. Nosso objetivo é assegurar que nenhum consumidor seja lesado ou impedido de acessar um serviço essencial como o transporte público por falta de alternativas viáveis de pagamento”, afirmou a Defensora Pública e Coordenadora Luciana Telles da Cunha.

A modernização do transporte é vista como necessária por parte dos usuários, mas passageiros defendem que ela precisa considerar a realidade social da cidade. Para muitos cariocas, a discussão não é sobre resistir à tecnologia, mas garantir que avanços não criem novas barreiras para quem já enfrenta dificuldades diárias para circular pela cidade.

Leia também: Emancipação financeira, protagonismo feminino e empoderamento: projeto Elas de Guaratiba promove autonomia, igualdade e segurança às mulheres

Beatriz Bruno
Beatriz Bruno
Estudante de Jornalismo pela Escola de Comunicação do Centro Universitário Augusto Motta. Carioca da gema, praia e samba na palma da mão. Acredito em uma comunicação acessível e abrangente.

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3 COMMENTS

  1. Embora saibamos que a cédula daqui a pouco vai desaparecer, pois hoje tudo é feito através de pix e celular , no momento acho que não é uma decisão inteligente, tem que ter uma preparação, por mais que hoje em dia quase o mundo inteiro é tecnológico , ainda sim existem pessoas que nem se quer sabe usar .

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