Entre tintas, bandeiras e memórias: moradores de Belford Roxo resgatam tradição das Copas do Mundo

Por Christian Ferreira e Guilherme Oliveira – Estudantes de Jornalismo

Quem passa pela Rua Iracema, no bairro Parque dos Ferreiras, em Belford Roxo, já consegue perceber que o clima da Copa do Mundo começou antes mesmo da bola rolar. Com pincéis nas mãos, bandeiras espalhadas pelo ar e a participação de moradores de diferentes idades, a rua está ganhando novas cores em um movimento que busca resgatar uma tradição que marcou gerações de brasileiros.

A iniciativa surgiu entre membros da Igreja Pedras Vivas, localizada na mesma rua. A ideia inicial era reunir os fiés para assistir aos jogos da Seleção Brasileira, mas o entusiasmo foi além dos muros da igreja. Após conversarem com os vizinhos e receberem autorização dos moradores, o grupo decidiu transformar a rua em um verdadeiro cenário de Copa do Mundo.

Pintar as ruas durante a Copa do Mundo resgata a memória dos moradores. / Foto: Christian Ferreira

Segundo Wendel Tavares, um dos idealizadores do projeto, a motivação veio da vontade de viver uma experiência que grande parte da atual geração não teve a oportunidade de conhecer.

“Vimos muitas pessoas fazendo isso e percebemos que nossa geração quase não viveu essa experiência. Tenho 30 anos e lembro muito pouco da Copa de 2002. Nunca participei de uma rua pintada para a Copa”, conta.

Mais do que uma decoração temática, a ação tem um significado coletivo. Para os organizadores, o objetivo é fortalecer os laços entre os moradores e criar memórias afetivas para as crianças que vivem na região.

A motivação foi esse momento de comunhão, de juntar a galera e principalmente fazer com que as crianças tenham essa lembrança. Essa é a primeira Copa deles pintando rua. Queremos criar essa memória para eles”, destaca Louise Sousa.

O resgate de uma tradição

Durante décadas, pintar ruas, pendurar bandeirinhas e decorar bairros inteiros foram práticas comuns em períodos de Copa do Mundo. Nos últimos anos, no entanto, esse costume perdeu força em muitas cidades brasileiras. Agora, iniciativas como a da Rua Iracema mostram que a tradição ainda encontra espaço para sobreviver.

Para Wendel, a ação representa uma conexão entre passado e futuro. “É trazer de volta essa vivência que os antigos tiveram em outras Copas. Sempre existiu essa tradição de pintar ruas e colocar bandeirinhas. Esperamos que isso permaneça por muitos anos e alcance as próximas gerações.” ressaltou Wendel.

A expectativa também é compartilhada por Rayssa França, que acredita que a experiência ficará marcada na memória das crianças que participam da preparação.

“Essas crianças vão guardar isso na mente delas e repetir lá na frente. Mesmo quando nós não estivermos mais aqui, acredito que elas vão manter viva essa tradição e passar adiante a importância desse costume.” afirma.

Rua pintada em Belford Roxo. / Foto: Christian Ferreira

Memórias que atravessam gerações

Para alguns moradores, a iniciativa também desperta lembranças da infância. Louise recorda uma celebração familiar realizada durante uma Copa do Mundo, quando o aniversário do pai coincidiu com o período dos jogos.

“Era uma festa com tema de Copa do Mundo e Festa Junina. Pintamos o rosto, colocamos bandeirinhas e entramos no clima do Brasil. Foi tudo dentro de casa, mas ficou marcado na memória. Agora vamos conseguir reviver um pouco dessa sensação.” disse.

Além da decoração da rua, a igreja planeja realizar uma confraternização coletiva durante a estreia da Seleção Brasileira na competição. O encontro acontecerá no dia 13, às 19h (horário de Brasília), reunindo famílias, amigos e vizinhos para torcer juntos.

Mais do que acompanhar uma partida de futebol, a comunidade espera celebrar aquilo que sempre fez da Copa do Mundo um evento especial no Brasil: a capacidade de unir pessoas, criar memórias e fortalecer o sentimento de pertencimento entre diferentes gerações.

Leia também: Rio em clima de Copa: Saiba onde assistir à estreia da Seleção Brasileira

Beatriz Bruno
Beatriz Bruno
Estudante de Jornalismo pela Escola de Comunicação do Centro Universitário Augusto Motta. Carioca da gema, praia e samba na palma da mão. Acredito em uma comunicação acessível e abrangente.

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