Por Paulo Vitor Alonso Estudante de Jornalismo
A melhora na qualidade da água em praias da Zona Sul do Rio de Janeiro reacendeu o debate sobre a recuperação ambiental da Baía de Guanabara. Enquanto locais que por décadas sofreram com a poluição começam a apresentar avanços, moradores da Ilha do Governador ainda convivem com praias consideradas impróprias para banho e questionam quando a mesma transformação chegará à região.
A Ilha do Governador possui uma forte ligação histórica com o mar. Durante boa parte do século passado, praias como a da Bica eram frequentadas por moradores e visitantes que buscavam lazer, esportes e contato com a natureza. No entanto, uma série de impactos ambientais contribuiu para a degradação da qualidade da água ao longo dos anos.

Entre os episódios mais marcantes está o vazamento de aproximadamente 20 mil toneladas de óleo do petroleiro iraquiano Tarak Ibn Ziyad, em 1975. Anos depois, em 2000, a Baía de Guanabara foi palco de outro desastre ambiental de grandes proporções, quando cerca de 1,3 milhão de litros de óleo vazaram de um duto que ligava a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) ao Terminal da Ilha d’Água. O acidente afetou significativamente a fauna marinha e agravou os problemas ambientais da região.
Apesar da situação das praias, muitos moradores continuam utilizando a orla como espaço de convivência e lazer. Em entrevista à reportagem, a moradora Magali Roseno afirmou que a população se acostumou à realidade local e não deixa de frequentar a região por conta dos problemas de balneabilidade.
Segundo ela, a condição da água tem pouco impacto na rotina de parte dos frequentadores:
“Se não peguei nada até hoje, não é agora que vou pegar”, relatou, ao comentar a percepção de muitos moradores sobre os riscos de entrar no mar.

Mais do que um local destinado ao banho, a orla passou a desempenhar outras funções ao longo dos anos. A entrevistada destaca que a expansão dos quiosques, bares e atividades esportivas transformou a relação da população com as praias da Ilha.
“Atualmente, as pessoas deixaram de pensar só no banho e passaram a incluir a praia na vida esportiva”, afirmou.
Modalidades como beach tennis, futevôlei, vôlei de praia e treinos funcionais atraem diariamente moradores para a orla. Mesmo sem condições ideais para o banho, a Praia da Bica continua sendo um dos principais pontos de encontro da região, reunindo praticantes de esportes, frequentadores de bares e restaurantes e famílias em busca de lazer ao ar livre.
A movimentação constante demonstra que a população mantém uma forte relação com o espaço, mas também reforça a necessidade de investimentos voltados para a recuperação ambiental das praias. Para moradores e frequentadores, a revitalização da orla não representaria apenas uma melhoria na qualidade da água, mas também um ganho para o turismo, o lazer e a qualidade de vida na Ilha do Governador.

Enquanto a recuperação de algumas praias cariocas é celebrada, a expectativa dos moradores da Ilha permanece a mesma: que a região também receba a atenção necessária para que suas praias voltem a ser um patrimônio ambiental plenamente aproveitado pela população.



