A Zona Norte é uma das áreas mais atingidas pela forte chuva no Rio de Janeiro. Moradores relatam o descaso nas comunidades.
Por Nathaly Ferreira, Júlia Brito, Luan Araújo e Alexandre José.
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• Zona Norte é a mais afetada pelas enchentes.
• Moradores enfrentam perdas materiais e alagamentos constantes.
• Falta de infraestrutura agrava os impactos das chuvas.
• Comunidades relatam descaso do poder público.
• Problema expõe ausência de políticas públicas eficientes.
Diversos bairros do Rio de Janeiro, especialmente na Zona Norte, sofrem frequentemente com enchentes durante os períodos de chuva intensa. Moradores relatam problemas constantes de escoamento, além da perda de móveis, eletrodomésticos e outros bens materiais dentro de suas casas.
Através dos relatos de moradores e de pesquisas sobre os impactos das chuvas na cidade, é possível perceber a desigualdade existente entre diferentes regiões do Rio, como a Zona Sul e a Zona Norte. Embora toda a cidade possa ser afetada pelos temporais, os maiores riscos e impactos costumam atingir a Zona Norte, onde comunidades enfrentam maiores problemas de infraestrutura, saneamento básico e drenagem urbana. Enquanto áreas mais valorizadas recebem mais investimentos e respostas rápidas do poder público, moradores da periferia convivem com o abandono e a insegurança durante os períodos de chuva.

Conhecida por muitos como “Cidade Maravilhosa”, o Rio de Janeiro também possui um lado marcado pela desigualdade social, onde moradores convivem diariamente com o medo, o descaso e a falta de assistência em momentos de emergência. Além dos alagamentos, muitas vias ficam obstruídas por quedas de árvores e acúmulo de água, dificultando a locomoção da população.
As fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro nos últimos meses voltaram a causar transtornos na Zona Norte da cidade. Ruas alagadas, residências inundadas, perda de bens materiais e problemas no deslocamento fazem parte da realidade de milhares de moradores durante os temporais.
Relatos e Depoimentos
Para Marcely Corrêa, moradora da comunidade de Manguinhos, a falta de saneamento básico está entre os principais fatores que favorecem os alagamentos. Ela também destaca que o crescimento desordenado da área intensifica os desafios enfrentados pela população, especialmente nos períodos de chuva intensa.
“Essa região da cidade foi uma área que cresceu sem planejamento. O esgoto não dá vazão, os bueiros vivem entupidos e existem também a questão da poluição nas ruas. Falta manutenção e reparos no saneamento básico. É um abandono”,
Marcely Corrêa
“Quando tem chuva intensa, ou até mesmo uma chuva mais fraca, como já aconteceu em Manguinhos, os bueiros ficam entupidos e a água não consegue escoar. Aí tudo alaga”
Marcely Corrêa
Na comunidade da Nova Holanda, localizada no Complexo da Maré, a situação também preocupa moradores. Maria do Carmo de Araújo, moradora do Complexo, afirma que o acúmulo de lixo agrava diretamente as enchentes na região. Os resíduos descartados de forma irregular acabam sendo levados pela água e se acumulam nos bueiros e galerias pluviais. Esse bloqueio impede o escoamento adequado da água, fazendo com que ela retorne e fique acumulada nas ruas.
A moradora também critica a ausência de melhorias estruturais para combater os alagamentos:
“Até agora eu não vi nenhuma obra de drenagem aqui onde eu moro, na Nova Holanda. Quando chove, a situação continua a mesma, com ruas alagadas e muita dificuldade para quem mora na região”, afirma.
Maria do Carmo de Araújo
No bairro de Coelho Neto, os impactos das chuvas também fazem parte da rotina dos moradores. Entre eles está João Gabriel Malafaia, de 19 anos, que desde a adolescência ajuda os avós no trabalho diário em uma pensão de alimentação. A venda de refeições é a principal fonte de renda do casal de idosos, que enfrenta dificuldades sempre que as fortes chuvas atingem a região. A convivência com os desafios enfrentados pela família durante os períodos de alagamento permitiu ao jovem acompanhar de perto os transtornos causados pela falta de infraestrutura urbana.
“Acredito que faltam investimentos em infraestrutura e saneamento para evitar os alagamentos. As chuvas estão mais fortes do que antes, mas a cidade continua sem preparo para enfrentar essas fortes chuvas.”
João Gabriel Malafaia

Panorama dos Afetados
O balanço apresentado no infográfico reforça a dimensão do problema na Zona Norte do Rio de Janeiro. Entre 2020 e 2024, bairros como Coelho Neto, Manguinhos e Bonsucesso registraram milhares de pessoas afetadas por alagamentos e transtornos provocados pelas chuvas intensas. Os números demonstram que os impactos se repetem ao longo dos anos, evidenciando a vulnerabilidade dessas regiões diante dos eventos climáticos extremos.

Em resposta a situações de risco, o Centro de Operações e Resiliência (COR) tem investido em sistemas de monitoramento e emissão de alertas para informar a população durante períodos de fortes chuvas. Os avisos ajudam moradores a se prevenirem e se prepararem para possíveis temporais, contribuindo para a redução de riscos em diferentes regiões da cidade.
No entanto, apesar dessas medidas de prevenção, a população ainda convive com a insegurança causada pelos alagamentos recorrentes. O Rio de Janeiro enfrenta há muitos anos problemas relacionados ao escoamento ineficiente da água, consequência da falta de infraestrutura adequada e da ausência de soluções definitivas por parte do poder público. Dessa forma, moradores da Zona Norte continuam expostos a prejuízos materiais, dificuldades de mobilidade e riscos à segurança sempre que ocorrem chuvas mais intensas.
Balanços das ocorrências
Enchentes e alagamentos continuam causando transtornos e prejuízos materiais, principalmente em áreas mais vulneráveis da cidade. Em casos mais graves, os temporais também resultam em deslizamentos, acidentes e mortes, evidenciando a necessidade de investimentos em adaptação climática e prevenção de desastres.

O COR informou que “a forte instabilidade meteorológica que atingiu o Rio de Janeiro em 23 de fevereiro de 2026 provocou alagamentos, bolsões d’água e transtornos generalizados, especialmente na Zona Norte e na Baixada Fluminense. A Rodovia Presidente Dutra chegou a ser interditada devido aos temporais.” Centro de Operações e Resiliência
O Sistema Alerta Rio registrou os seguintes acumulados de chuva (entre 11h15 e 21h15) nas estações da cidade:

Ao mesmo tempo, alguns fatores que agravam as enchentes também estão relacionados à falta de conscientização da própria população. O descarte irregular de lixo nas ruas, rios e canais contribui para o entupimento de bueiros e dificulta o escoamento da água da chuva, aumentando os alagamentos em diversas regiões da cidade. Embora a responsabilidade pelas obras e melhorias estruturais seja do poder público, atitudes simples da população também podem ajudar a diminuir os impactos causados pelos temporais.
Diante desse cenário, fica claro que enfrentar as enchentes exige ações conjuntas. É necessário que o poder público invista em saneamento básico, drenagem urbana e medidas de prevenção, mas também que a população contribua para a preservação dos espaços urbanos. Sem mudanças efetivas, as chuvas continuarão causando transtornos e evidenciando uma realidade que afeta principalmente os moradores das áreas mais vulneráveis do Rio de Janeiro.
Alertas chegam aos celulares da população
A Defesa Civil utiliza o sistema de alertas por celular para informar a população sobre riscos de alagamentos, deslizamentos e outros eventos climáticos extremos. As mensagens são enviadas em tempo real para orientar os moradores sobre medidas de segurança e indicar os procedimentos adequados diante de emergências. Defesa Civil

O sistema tem se tornado uma ferramenta importante para a prevenção de acidentes, principalmente em regiões mais vulneráveis às chuvas intensas. Por meio dos alertas, moradores recebem orientações para evitar áreas de risco, buscar locais seguros e acompanhar as atualizações dos órgãos responsáveis pelo monitoramento das condições meteorológicas.
Embora os avisos não impeçam a ocorrência de enchentes e alagamentos, eles contribuem para reduzir riscos à população ao permitir que as pessoas se preparem com antecedência para emergências. Dessa forma, a tecnologia atua como uma aliada na proteção dos moradores e complementa as ações de monitoramento realizadas pelo Centro de Operações (COR) e pela Defesa Civil.
No entanto, os desafios causados pelas enchentes vão além da emissão de alertas. Os dados apresentados ao longo desta reportagem mostram que bairros da Zona Norte continuam sofrendo com alagamentos recorrentes, prejuízos materiais e impactos na mobilidade urbana. Por isso, além das ações de monitoramento e prevenção, é fundamental que haja investimentos em infraestrutura, drenagem urbana e manutenção dos sistemas de escoamento. Somente com medidas integradas entre poder público e população será possível reduzir os impactos das chuvas intensas e garantir mais segurança e qualidade de vida para os moradores da região.
E você? Já foi afetado pelas chuvas no Rio de Janeiro? Deixe o seu relato nos comentários!



